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Coluna do
Ricardo Setti
Este espaço pretende apresentar boas histórias e opinião independente. Não será neutro diante dos descalabros do Brasil e das dores do mundo, mas rejeitará qualquer compromisso com o azedume e o mau humor.
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27/04/2014 às 19:40 \
Política & Cia
Notas da coluna de
Carlos Brickmann, publicadas hoje em vários jornais
Engane-me, eu gosto

O deputado goiano Carlos Alberto Lereia, do PSDB, amigo de fé e irmão camarada do bicheiro Carlinhos Cachoeira – tão próximo que Cachoeira lhe forneceu a senha de seu cartão de crédito – teve o mandato suspenso por 90 dias, por conduta inconveniente. Foi condenado por impressionante maioria: 353 a 26.
Na prática, Lereia perde oito dias de trabalho em maio (dois por semana, quarta e quinta), e três em junho (aí começa a Copa). Em julho há recesso. Em agosto o nobre parlamentar reassume suas funções. É campanha; o Congresso funcionará duas semanas, no total, em agosto e setembro. Lereia receberá por 60 dias e trabalhará quatro, se não faltar.
É o último sofrimento de sua punição.
Ludibrie-me, aprecio
O ex-presidente Lula disse que está “por fora” do caso de Pasadena. É evidente que Lula não sabia de nada. O negócio foi feito quando ele era presidente da República. A Petrobras, maior estatal do país, era dirigida por Sérgio Gabrielli, seu homem de confiança. A atual presidente da Petrobras, Graça Foster, era diretora de Gás e participante da reunião que decidiu a compra da Refinaria de Pasadena. A presidente do Conselho era a ministra Dilma Rousseff, tão próxima a Lula que ele a indicou para sucedê-lo na Presidência.
Não podia saber, mesmo!
Me iluda que amo
Já que o deputado André Vargas, do PT paranaense, não quer renunciar ao mandato, o PT ameaça expulsá-lo. Onde já se viu manter no partido um político amigo de um doleiro? É comovente tamanhapreocupação ética. De acordo com o artigo 231 do Estatuto do PT, deve ser expulso o condenado por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado.
Delúbio, José Dirceu e Genoíno, presos, com sentença transitada em julgado, continuam no partido. E Vargas, que nem a processo responde, seria expulso?
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27/04/2014 às 18:26 \
Política & Cia
Por Beatriz Bulla e Eulina Oliveira, do jornal O Estado de S. Paulo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve neste sábado, 26, uma crise de labirintite, e passou a noite no hospital Sírio Libanês, na capital paulista.
A informação consta da página de Lula na rede social Facebook.
Conforme a nota, publicada por volta das 13h, o problema já foi superado, e Lula encontra-se bem, descansando em sua residência em São Bernardo do Campo (SP).
Em nota divulgada na tarde deste domingo, 27, o hospital Sírio-Libanês informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “liberado para a realização de suas atividades normais” a partir de hoje, depois de receber alta nesta manhã.
De acordo com o hospital, os exames realizados por Lula apresentaram resultados “dentro da normalidade”.
As equipes médicas que acompanharam a internação de Lula foram coordenadas pelos médicos Roberto Kalil Filho e Milberto Scaff.
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27/04/2014 às 18:06 \
Política & Cia
Quando todo mundo acha que os preços vão subir… eles acabam subindo (Ilustração: O Globo)
A INFLAÇÃO DO POVO E A DOS ECONOMISTAS
Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado na excelente
seção de Opinião de O Globo
Carlos Alberto Sardenberg
Em fevereiro deste ano, o Datafolha perguntou em uma de suas pesquisas nacionais: você acha que a inflação vai aumentar ou vai cair?
“Vai aumentar” responderam 59% dos entrevistados. Já mostrava uma expectativa negativa .
No mesmo mês, analistas de fora do governo, consultados pelo Banco Central, estimavam que a inflação chegaria ao final deste ano em 5,9%, medida pelo IPCA, índice do IBGE. Não chegava a ser uma novidade, pois a média de inflação nos últimos anos tem ficado em torno dos 6%. Mas continuava sendo um número alto, considerando que a meta oficial é de 4,5%, podendo ir até 6,5%, na margem de tolerância.
Vamos para abril. O Datafolha fez a mesma pergunta. E nada menos que 65% disseram que a inflação vai aumentar. Uma alta de seis pontos percentuais.
O BC, como faz toda semana, consultou novamente os analistas. No último dia 17, eles elevaram a previsão de inflação para este ano para 6,51%, conforme mostra Boletim Focus [resultado de estudos e projeções de dezenas de instituições do mercado], que pode ser acompanhado no
site do BC. É só um pouquinho acima do teto da meta (a margem de tolerância), mas o movimento tem sido de alta direto. Além disso, é a primeira vez no ano que passa do teto.
Logo, especialistas e povo têm a mesma expectativa. Os economistas não acreditam que a alta de juros promovida pelo Banco Central e a promessa de corte de gastos do governo farão o efeito de bloquear a inflação. As pessoas ou os eleitores não acreditam nas repetidas afirmações da presidente Dilma, do ministro Mantega e do presidente do BC, Alexandre Tombini, segundo os quais o governo vai derrubar o IPCA.
Do ponto de vista técnico, se diz que o BC não está conseguindo “ancorar” as expectativas. No regime de metas, é meio caminho andado quando o mercado acredita que a “autoridade monetária” está mesmo empenhada em colocar a inflação no alvo e tem instrumentos e autonomia para fazer isso. No caso, autonomia para elevar os juros o quanto for necessário. O mercado acha o contrário, neste momento, e opera, negociando taxas de juros, por exemplo, na expectativa de que a inflação é alta e resiliente.
De ponto de vista da população, vale a experiência de compras. Índice de inflação de 6% é uma média entre preços que sobem e caem. Tem cigarro e cerveja no índice. Se você não fuma nem bebe, não percebe a inflação desses itens. Ocorre que estão subindo mais, bem acima da média, preços de itens que afetam todo mundo: comida e serviços em geral, desde corte de cabelo a mensalidade escolar. E mais recentemente, tarifas de energia elétrica e de transporte público.
Até chegaram a cair preços de alguns eletrodomésticos, por causa da demanda mais fraca e do crédito mais difícil. Muitas pessoas perceberam, mas você não compra geladeira todo ano. Já supermercado e salão de beleza…
Nesse ambiente, acontece algo muito conhecido: quando todos acham que a inflação vai subir… ela sobe.
O empresário trata de colocar no preço a expectativa de alta. Os sindicatos começam a pedida salarial de 7% para cima. Se o mercado está aquecido, o prestador de serviço eleva seus preços mais frequentemente.
A persistência da inflação relativamente alta vai incomodando aos poucos. A pessoa está empregada, com salário em dia, mas toda semana vê que algo ficou mais caro. O dono do negócio, a um determinado momento, não sabe mais que preço estimar – e dá uma parada. O próprio governo vai ficando incomodado, pois seus integrantes percebem que precisam elevar alguns preços e salários.
A sensação de desconforto econômico se transforma em disposição de voto contra o governo. Esse é o maior risco para a presidente Dilma, além, claro, do caso Petrobrás: entrar na campanha em ambiente inflacionário.
Mas, pergunta o leitor, não seria possível combater e derrubar essa alta de preços? Sim, é possível, mas como o governo errou na política econômica, colhendo inflação alta e crescimento baixo, e como tolerou por muito tempo o ritmo elevado dos preços, o remédio necessário é cada vez mais amargo. E de efeitos demorados.
Trata-se de juros ainda mais altos e de um forte corte nos gastos públicos, atitudes politicamente negativas e nas quais, a rigor, a presidente Dilma e o ministro Mantega nem acreditam.
Por isso, tentam controlar alguns preços “no braço” e ganhar a batalha das expectativas no grito. Toda hora repetem que a inflação está sob controle. Mas não é o que dizem os analistas e o povo, numa rara combinação.
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27/04/2014 às 17:14 \
Política & Cia
Este post é dica do amigo do blog Heraldo Palmeira
Uma máquina extremamente criativa e simples ao mesmo tempo faz com destreza o que muitos de nós não conseguem. Será???
A coisa que eu mais admiro é uma ideia simples. A simplicidade realmente é encantadora.
Imagine a economia de espaço para se ter uma engenhoca dessas, e a rapidez com que ela cumpre sua função. Ideal para os tempos modernos, onde a falta de espaço é quase um padrão para a sociedade.
Veja com seus próprios olhos.
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27/04/2014 às 16:00 \
Tema Livre
Não era raro o elegante Bellini, retratado aqui em 1961, sair de campo com a cabeça sangrando, resultado do encontrão com adversários
O enigma do capitão Bellini
Pesquisadores estudam o cérebro do homem que ergueu a Jules Rimet para determinar a doença que o matou. A suspeita: ele não sofria de Alzheimer, e sim de um distúrbio neurológico associado aos esportes mais violentos
Reportagem de Natalia Cuminale, publicada em edição impressa de VEJA
A memória do zagueiro Hideraldo Luís Bellini — um dos fundadores da nacionalidade brasileira, com o gesto de erguer a Jules Rimet acima da cabeça, na Copa de 1958 — começou a falhar em 1998, quando ele estava com 68 anos, durante a gravação de um comercial para a televisão.
Bellini não conseguiu decorar um texto de míseras quatro linhas. “A partir daí, passei a prestar atenção e percebi que ele esquecia tarefas simples do cotidiano”, conta Giselda, mulher do jogador. “Se pedia que fizesse uma compra pequena no mercado, de cinco itens, por exemplo, ele voltava sem pelo menos dois produtos.” O diagnóstico médico, por exclusão, foi Alzheimer.
Nos dezesseis anos seguintes, a doença levou embora datas, nomes, rostos e lembranças. Completamente alienado do mundo e de si próprio, o elegante Bellini morreu aos 83 anos, em 20 de março último, de falência respiratória.
Neurologista do zagueiro desde 2008, o pesquisador Ricardo Nitrini desconfia, no entanto, de que seu paciente possa ter sido vítima de um distúrbio de sintomas muito semelhantes aos do Alzheimer, a encefalopatia traumática crônica. Mais comum entre jogadores de futebol americano e hóquei, lutadores de boxe e de MMA, a doença está associada a concussões frequentes na cabeça.
Como a diferenciação entre a encefalopatia e o Alzheimer só pode ser feita por meio da análise anatomopatológica, a família doou o cérebro de Bellini ao banco de encéfalos humanos, da Universidade de São Paulo, um dos maiores do mundo, do qual Nitrini é um dos diretores.
Hoje, fatias e fragmentos da massa encefálica do jogador estão guardados em lâminas de microscópio e freezers a 80 graus negativos, entre outros 3 000 cérebros. A causa da morte do capitão da seleção de 1958, que fez história também no Vasco e no São Paulo, deve ser definida até junho.
O cérebro de Bellini foi doado ao banco de encéfalos humanos da USP, um dos maiores do mundo (Foto: Alexandre Schneider)
A suspeita de que Bellini tenha sido acometido pela encefalopatia traumática crônica está baseada em seu estilo de jogo. Com 1,82 metro, o zagueiro usava e abusava das jogadas aéreas. “Atleta de forte impulsão, ele foi um dos melhores cabeceadores que o Brasil já teve”, diz José Macia, o hoje treinador Pepe, ex-Santos e seleção.
Quando Bellini entrava em campo, as concussões eram frequentes. A quantidade de cabeçadas dadas por ele ultrapassava em cerca de 30% as cinco que um jogador sem o perfil de Bellini costuma dar em uma única partida. Além disso, até a década de 80 as bolas eram feitas de couro e, em dias de chuva, chegavam a pesar mais de meio quilo — hoje, graças aos avanços tecnológicos, elas estão bem menos suscetíveis à absorção de água, e portanto mais leves.
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27/04/2014 às 15:00 \
Tema Livre
A modelo Jenna Talackova, ex-Walter: vai ou não concorrer a Miss Canadá? (Foto: inquirer.net)
Publicado originalmente em 9 de abril de 2012.
Tudo ia muito bem para a loura Jenna Talackova, modelo de passarela de medidas perfeitas e candidata, pela cidade de Vancouver, ao concurso de Miss Canadá, primeiro passaporte para a disputa do Miss Universo.
Para os que acompanhavam os bastidores do certame, ela era uma das favoritas – até que um dos integrantes da organização descobriu que ela passara por uma cirurgia de mudança de sexo. Aí a coisa complicou e lhe negaram inscrição.
“Ela se sente como uma mulher de verdade e é uma mulher de verdade”, disse o diretor do concurso, Denis Dávila, “mas as normas [do concurso] estabelecem que as aspirantes ao título devem ter nascido mulheres”.
Jenna exibe suas formas à beira de uma piscina: “Sou mulher. Não desejo que nenhuma outra mulher sofra a discriminação por que passei”
A história de Jenna é como a de tantos outros transexuais. Aos 4 anos de idade, já exteriorizava aos pais que se sentia uma menina. Tratada por uma equipe de médicos e psicólogos, a partir dos 14 anos começou a passar por terapia hormonal e aos 19 – há quatro anos, portanto – finalmente realizou a operação de “reassignação de sexo”.
A recusa da direção do concurso – que integra o grupo de empresas do bilionário norte-americano Donald Trump – provocou um grande movimento de protesto. Jenna, para começo de conversa, é considerada mulher pelo Estado canadense – traz o sexo feminino em seu passaporte. “As leis do Canadá estão acima das normas de qualquer certame e elas proíbem de forma expressa que alguém seja discriminado por ser transexual”, disse seu advogado, Joseph Arvay.
A própria candidata afirmou: “Sou uma mulher. Fiquei devastada com a decisão e achei injusta a razão de minha exclusão”. E acrescentou: “Gostaria que o sr. Trump dissesse claramente que essa regra injusta será eliminada, porque não desejo que nenhuma outra mulher sofra a discriminação por que passei”.
Jenna com a advogada Gloria Allred: “Minha cliente nunca pediu para o sr. Trump exibir seus genitais” (Foto: Reuters)
A supercombativa advogada feminista norte-americana Gloria Allred entrou na briga, a direção do concurso foi bombardeada pelas redes sociais, houve protestos de organizações de gays, lésbicas e transexuais, ONGs de direitos humanos reclamaram, um site de transgênero recolheu 50 mil assinaturas de protesto – e por aí vai.
A direção do concurso recuou, afirmando, em nota, que “permitirá a Jenna competir, desde que prove cumprir os requisitos legais de gênero existentes no Canadá e as normas estabelecidas por outras competições internacionais”.
A advogada Allred provocou Trump, dizendo que sua cliente jamais pediu para ver os órgãos genitais de Trump ou para provar que nasceu homem. O bilionário não deixou por menos, referindo-se, desbocadamente, a sua masculinidade: “Acho que Gloria ficaria muito, muito, mas muito mesmo impresssionada com minhas credenciais”. Mas assegurou, de todo modo, que o concurso “vai seguir a lei”. Jenna, portanto, poderá concorrer.
Ela, que recebeu o nome de “Walter” quando nasceu, mantém o suspense e não diz se vai ou não participar.
Jenna virou celebridade instantânea, e neste domingo concedeu entrevista à veterana e famosa jornalista americana Barbara Walters, da rede de TV ABC.
Veja o
site do concurso.
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27/04/2014 às 14:00 \
Tema Livre
Aventuras na Noruega
Inverno gelado, neve caindo, e termômetros que não sobem de jeito nenhum além de 0°C, ou o sol que não se põe até meia-noite, provocando as mágicas luzes e sons da aurora boreal.
A paisagem é linda, e para quem gosta de frio, é um prato cheio: a Noruega fica muito, mas muito perto mesmo do Círculo Polar Ártico, e é conhecida como a capital mundia da aurora boreal.
E não é só de frio que vive norueguês – nem turista na Noruega: no verão, tem a pesca, atividades de canoagem e o permanente desfrute de uma paisagem espetacular, o que inclui os famosos fiordes cobertos de verde.
Isso é o que nos mostram os cineastas da
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Boreal Opplevelser AS. Confiram:
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26/04/2014 às 19:00 \
Política & Cia
André Vargas e o gesto que já virou hábito: levantar o braço como na velha saudação comunista — no caso, para provocar Joaquim Barbosa (Foto: Agência Câmara)
Artigo publicado em edição impressa de VEJA
“Vou atuar”
Quando o amigo doleiro Alberto Youssef desabafou, exasperado e súplice, “Tô no limite. Preciso captar”, segundo diálogos registrados pela Polícia Federal e revelados por VEJA, o deputado André Vargas respondeu, resoluto: “Vou atuar”.
André Vargas, do PT do Paraná, até há pouco vice-presidente da Câmara dos Deputados, já se celebrizara pelo gesto de levantar o braço, como provocação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, sentado a seu lado.
Ao gesto agora acrescentava uma divisa, na forma de uma sentença tão curta quanto prenhe de pesporrência (bela palavra; o colunista agradece ao deputado a oportunidade de usá-la): “Vou atuar”.
André Vargas é exemplo acabado da mutação genética do espécime chamado “petista”. Ele nasceu em Assaí, perto de Londrina, no Paraná, um mês antes do golpe de 1964. Tem 50 anos, portanto, e entrou no PT aos 26, em 1990.
Gloriosos tempos esses. O PT era a estrela que apontava para uma sociedade mais justa e costumes renovados na política brasileira. Quando se tornou poderoso, o PT passou a qualificar de “udenistas” os adversários que o atacam com a arma da moral e dos bons costumes.
Naquele tempo a UDN ressurreta era o PT. Seu empenho foi decisivo para a derrubada do presidente Collor, em 1992. Nada mais atraente para um jovem idealista do que um partido como esse. (Suponhamos que André Vargas tenha sido um idealista; é o que de melhor podemos fazer por ele.)
Sua ascensão foi rápida. Em 1991, já era membro do diretório municipal de Londrina. Em 1997, deixou-o para instalar-se em Brasília, como chefe de gabinete do deputado Nedson Micheleti.
Quando se dá a mutação de um jovem idealista para um “Vou atuar”?
Os fenômenos da evolução são infelizmente infensos a respostas com o grau desejável de precisão. No caso, Brasília talvez tenha contado. Com certeza poder e dinheiro contam.
Em 1998, Vargas trabalhou na campanha dos candidatos Paulo Bernardo, do PT, a deputado federal, e Antônio Carlos Belinati, do PSB, a estadual. Era uma estranha dobradinha. O parceiro de Paulo Bernardo, o atual ministro das Comunicações, era filho de Antônio Belinati, três vezes prefeito de Londrina, o qual em tantas se meteu que teve o mandato cassado, em 2000, e chegou a ser preso.
Na campanha envolveu-se o agora famoso Youssef, e foi nessa ocasião, segundo o jornal O Globo, que Vargas o conheceu. A campanha resultou em escândalo; para alimentar a do filho, segundo investigações, papai Belinati desviou dinheiro da prefeitura.
Os amigos de Vargas: primeiro, Paulo Bernardo e Antônio Carlos Belinati. Agora, Alberto Youssef (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O dinheiro começava a passar por perto do nosso suposto jovem idealista. Não por acaso, era uma época em que o PT começava a acumular poder. Em 2000 ganhou a prefeitura de São Paulo, com Marta Suplicy, e a de Londrina, com Nedson Micheleti, o deputado do qual Vargas fora chefe de gabinete. No ABC paulista, o mais antigo feudo petista, Celso Daniel foi eleito pela terceira vez.
O caldo de cultura que transforma o idealismo em “Vou atuar” estava formado. Celso Daniel foi morto dois anos depois. Nedson Micheleti, ao fim de dois mandatos de prefeito, seria condenado por improbidade administrativa. André Vargas, enquanto isso, empreendia a irresistível ascensão que o levou de vereador em Londrina a deputado estadual e, em 2006, a federal.
Distinguiu-se, nessa qualidade, pelas posições ultrapetistas de defesa dos mensaleiros e do controle da imprensa. Essa era sua face pública. Nos bastidores, atuava. As entranhas de seu mundo começaram a vir a público no fatídico dia em que Youssef lhe forneceu um jatinho para viajar com a família para João Pessoa.
Que quer dizer “vou atuar”?
O diálogo em questão sugere que seja em favor de gestão junto ao Ministério da Saúde para a conclusão de falcatrua envolvendo um laboratório de propriedade do doleiro. É razoável supor que essa seja uma de muitas atuações. E André Vargas não está sozinho.
O caso Petrobras, como último e culminante de uma série, revela quantos outros atuam. O espécime petista, tal qual conformado pela mutação sofrida, em simbiose com uma base aliada que no geral nem precisou mudar – já nasceu assim -, fez do Estado brasileiro um mar nunca dantes visto de atuações.
Pobre Dilma. Seu governo está bichado.
A corrupção generalizou-se a ponto de ser parte sem a qual o sistema não sobrevive. E ainda tem a economia. E ainda tem a incompetência. Seu governo faliu.
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26/04/2014 às 18:00 \
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A Filarmônica Russa faz uma apresentação do tango peculiaríssimo do grande Astor Piazzolla com destaque para os dançarinos Inna Svechnikova e Dmitry Chernysh.
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26/04/2014 às 17:00 \
Política & Cia
A charge de SPONHOLZ: raPTos
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Tema Livre

RACHEL SHEHERAZADE garante: “não fujo de briga”