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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Lula e Dilma seguiram alinhados às oligarquias, afirma Stedile






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Porto Alegre, terça-feira, 04 de fevereiro de 2014. Atualizado às 22h46.

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ENTREVISTA ESPECIAL Notícia da edição impressa de 03/02/2014


Jimmy Azevedo
MARCELO G. RIBEIRO/JC
“O Estado deve atuar em áreas estratégicas para garantir o interesse do povo”

Com a passagem dos 30 anos de fundação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no dia 22 de janeiro, o Jornal do Comércio entrevistou um de seus fundadores e principais líderes. João Pedro Stedile não poupa críticas aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, ambos do PT. Stedile questiona o fato de a reforma agrária não ter apresentado resultados significativos no governo Dilma. Segundo o ativista, a reforma agrária só não tem avanços porque a presidente está “alinhada com as oligarquias”.

O líder nacional do MST critica a política do atual governo em promover concessões de setores estratégicos. Sobre a política econômica do governo de coalizão, acredita que é necessário realizar mudanças, barrar o superávit primário e destinar os R$ 280 bilhões anuais, hoje pagos em juros aos bancos, para educação, saúde, reforma agrária e transporte público. Reitera que, para que haja essas mudanças estruturais, será necessário primeiro promover uma reforma política para que o poder seja exercido pelo povo, “e não contra ele”.

O MST foi criado em um encontro de camponeses em Cascavel, no Paraná, no dia 22 de janeiro de 1984. Em três décadas de mobilização pela reforma agrária, seus integrantes realizaram mais de 2,5 mil ocupações. O movimento tem 2 mil escolas instaladas em assentamentos. 

Jornal do Comércio - Quais são os desafios dos movimentos sociais?

João Pedro Stedile - Primeiro, é não desanimar diante da avalanche do grande capital que está dominando toda agricultura. Ir construindo pequenas e médias agroindústrias na forma cooperativa. Adotar a agroecologia como matriz de produção e priorizar a produção de alimentos sadios. Resistir. Logo aí, as contradições do modelo do agronegócio vão gerar uma crise tremenda, pois ele é predador da natureza, só produz alimentos contaminados pelo alto uso de venenos e vai despovoando o interior, com mais desemprego.

JC - O senhor disse que o modelo de luta pela reforma agrária deve ser reformulado. Quais seriam as alternativas?

Stedile - Durante todo século XX, os movimentos camponeses lutaram por terra e os governos que representavam os interesses da burguesia industrial aplicaram programas de reforma agrária clássica, que eliminava o latifúndio e democratizava a propriedade da terra para desenvolver o mercado interno. Agora, é o capital financeiro e as empresas transnacionais que hegemonizam o capitalismo, e a eles não interessa mercado interno, nem democratizar o acesso a terra. Então, nós, dos movimentos camponeses, precisamos avançar para um programa de reforma agrária popular, que interesse a todo o povo, centrado na distribuição de terras, na produção de alimentos sadios, sem venenos, no uso da agroecologia e na democratização da educação e das agroindústrias.

JC – Levantamentos revelam que o Brasil importou mais de US$ 2 bilhões em agrotóxicos no ano de 2012. Como o senhor avalia essa situação?

Stedile - O governo Dilma é refém do agronegócio e da falácia de que as exportações agrícolas são necessárias. Nenhum país do mundo se desenvolveu vendendo matérias primas. Olha, somos o maior exportador mundial de couro cru e os maiores importadores de tênis da China. Isso é uma vergonha. Somos o maior exportador de minério de ferro, sem pagar nada de imposto, e depois compramos até trilho de trem, ferro elétrico, e ventilador da China. Vendemos soja em grão e depois importamos leite em pó. E esse modelo anacrônico, até do ponto de vista agronômico, transformou a agricultura em refém dos venenos. Somos o maior consumidor mundial de venenos, 20% de todos os venenos do mundo, sem nenhuma necessidade agronômica. Nós estamos aplicando em media 15 litros de venenos por hectare por ano, e consumimos cinco litros por habitante ano. E ele mata a biodiversidade, mata os rios, a água subterrânea, contamina o ar, a chuva, e fica nos alimentos, para depois virar câncer. Esse é o preço que o povo esta pagando pela falácia do agronegócio.

JC - Por que o senhor diz que o governo Dilma Rousseff tem um desempenho ruim na reforma agrária?

Stedile - Porque é um governo de composição, de coalizão de todas as classes, em que o agronegócio tem hegemonia e os setores favoráveis à reforma agrária são minoritários. Somado a isso, há o contexto da agricultura dominada pelo capital financeiro e pelas empresas transnacionais. E é um Estado dominado pela burguesia, que tem controle absoluto do poder Judiciário e do Congresso para se proteger contra qualquer mudança.

JC - O MST, em particular nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi um dos movimentos sociais que mais realizaram mobilizações. Como está isso hoje?

Stedile - Na época do neoliberalismo, dos governos Collor-FHC, os movimentos sociais resistiram no campo e lutaram muito. Até porque o movimento sindical e a classe trabalhadora urbana haviam sido derrotados econômica e ideologicamente. Então, a imprensa burguesa como reprodutora de sua ideologia nos atacava permanentemente para evitar que crescessemos. Hoje, o papel da imprensa burguesa é esconder as lutas sociais ou difundir como sinônimo apenas de “baderna”, para abrir caminho para a repressão judicial e policial.

JC - Por que o senhor tem dito que os governos Lula e Dilma não fizeram a ruptura com o capital financeiro?

Stedile - Primeiro, porque nunca se propuseram a isso, uma ruptura com as oligarquias. Segundo, porque diante de uma correlação de forças adversas para a classe trabalhadora em todo mundo e a hegemonia do capital financeiro, escolheram o caminho de chegar ao governo em aliança com setores da burguesia. E disso se gerou um pacto: “vocês podem governar, fazer políticas de distribuição de renda, mas não podem mexer nas estruturas iníquas do capital e do Estado”. Isto é, formaram um governo de aliança de classes. Todos ganham um pouco, mas o capital financeiro é o que mais ganha. E cabe a ele financiar as campanhas dos deputados, dos governantes, encontros do poder Judiciário...

JC - Como o senhor analisa as concessões que estão sendo promovidas pela presidente Dilma?

Stedile - O governo Lula barrou as privatizações. Já o governo Dilma usa um sofisma: em vez de privatização, concessão. Na minha opinião, uma vergonha. O Estado brasileiro deve manter controle dos setores estratégicos da economia, da energia, dos transportes, das comunicações, para garantir que os interesses do povo estejam acima de qualquer coisa. Com as concessões e privatizações, o lucro das empresas está em primeiro lugar. Por isso, a energia elétrica no Brasil é a mais cara do mundo. Os pedágios, a internet e os celulares são os mais caros do mundo. Isso aqui virou um paraíso para o capital internacional, como diria o saudoso Brizola.

JC – Na sua opinião, por que o assunto reforma agrária esteve ausente da pauta das manifestações populares ocorridas em junho do ano passado?

Stedile - O que tivemos em junho e julho foram mobilizações da juventude urbana pedindo mudanças. E se mobilizou como indignação e protesto. Não por um programa de mudanças. Quem pode se mobilizar com programa de mudanças são os setores organizados da classe trabalhadora, que ainda infelizmente estão meio parados. Porém, as mobilizações da juventude são importantes e necessárias, pois são uma espécie de termômetro da saúde da sociedade. A juventude é a primeira que sente a febre e vai para a rua. Depois virão a classe trabalhadora e os demais setores. É urgente construirmos um programa de mudanças articulado pelos movimentos populares e partidos de esquerda.

JC - Um dos assuntos mais criticados pelos manifestantes foram os gastos com a Copa do Mundo. Qual é a sua opinião sobre esse tema?

Stedile - O governo gastou, através de diversas formas, ao redor de R$ 8 bilhões. A imprensa burguesa, porta-voz da oposição partidária, fez disso uma bandeira para tentar desgastar o governo. Mas, cá entre nós, esse volume representa apenas duas semanas dos juros pagos pelo Tesouro Nacional aos bancos. E ninguém diz nada. Claro que poderiam ser aplicados melhor, em educação e hospital. Nosso inimigo principal não são os estádios e a Copa, que vai passar logo. Nosso inimigo são os bancos, o capital financeiro. E sobre eles a imprensa não diz nada. O próprio (Joseph) Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, defendeu que a única saída para salvar o capitalismo, se se quisesse, seria estatizar os bancos.

JC - A ideia de se realizar reforma agrária no Brasil, proposta pelo então presidente João Goulart (Jango), foi um fator determinante para o golpe de 1964. No Chile, da mesma forma, com Salvador Allende. Por que esse tema é um tabu?

Stedile - Porque a base do poder político em todos os países periféricos e subalternos ainda está no poder econômico da propriedade da terra. Todos os países hoje industrializados fizeram reforma agrária para democratizar a terra e gerar um amplo mercado interno. Mas aqui a burguesia prefere vender pouco e ganhar muito, em vez de vender muito e ganhar mais. Por isso temos uma sociedade, a cada dia, cada vez mais desigual. O Brasil é um dos países de maior desigualdade social do mundo. E um dia isso vai estourar.

JC - O MST ficou submisso aos governos do PT, como criticam alguns?

Stedile - O MST adota como um princípio a autonomia em relação aos governos, Estado, partidos e igrejas. Aplicamos isso durante todos os 30 anos de existência. E fazemos isso também com os governos Lula-Dilma. Nossa prática de movimento social é pressionar e negociar. Pau e prosa. No ano passado, ocupamos os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda, da Agricultura, nenhum outro movimento social fez isso, e não consta que o governo federal tenha gostado.

JC - Como o senhor acompanhou, em 2011, a mobilização de um grupo de mais de 50 integrantes que deixaram o MST por acharem que a direção do movimento estava submissa ao governo?

Stedile - Do MST, eram apenas 17, os demais eram de outros movimentos. A crítica do documento deles é ideológica e se referia a todos os movimentos populares e partidos. Infelizmente, não entenderam que em um movimento de massa cabem todas as opiniões. Não me consta que sua saída e seu agrupamento representou algum avanço para a classe trabalhadora ou alguma ameaça aos governos e à burguesia. Faz parte da vida, e todo mundo tem a liberdade de defender suas ideias.
Perfil

João Pedro Stedile é, nas últimas décadas, a maior liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Um dos fundadores do MST, o ativista brasileiro também integra a Via Campesina. É graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Filho de pequenos agricultores da província italiana de Trento, nasceu em 1953 na cidade gaúcha de Lagoa Vermelha. Marxista de formação, Stedile, desde 1979, participa das atividades de luta pela reforma agrária no País. Atuou como membro da Comissão de Produtores de Uva, dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul, na região de Bento Gonçalves. Já assessorou a Comissão Pastoral da Terra (CPT), no Rio Grande do Sul e em âmbito nacional, além de ter trabalhado na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul. Por indicação do então deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), recebeu a medalha Mérito Legislativo, concedida a personalidades brasileiras ou estrangeiras que realizaram ou realizam serviço de relevância para a sociedade.

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COMENTÁRIOS
Roberto - 03/02/2014 - 11h52
Isso prova que não há PT ou qualquer partido que faça a diferença, TODOS estão atrelados à conquista e a manutenção do poder, pelo poder e para o poder, e ninguém fará diferença em lá estando. Agora o Sr. compreende que os seus "amigos" do PT(Lula, Dilma e Cia) só o usaram, assim como os grupos que os apoiam, para estarem onde estão, E o Sr.? Continua onde estava. O Sr. acreditou neles.... como sempre, os fatos falam muito mais alto que as palavras.....


sé Roberto Evangelista Marques - 03/02/2014 - 20h09
Se ele está na luta pela reforma agrária desde 1979,onde ele arranja tempo para trabalhar na terra?


Tom - 03/02/2014 - 20h19
Realmente tanto combateram que entraram para as 'zelites': Suas famílias estão ricas às custas dos mamulengos que continuam pobres... Chapeu de otário é marreta...


sandro cesar - 03/02/2014 - 20h19
O objetivo do lula nunca foi o de romper com as oligarquias, mas o de criar e sustentar uma rede de poder em que as oligarquias fazem parte integrante, haja vista as famílias Sarney, Collor e renan calheiro. Nesse sentido, esperar uma atitude voltada para o socialismo e para um Estado democrático de direito é no mínimo uma expectativa ingênua. Na hora de governar o lula é direitista como qualquer fascista, na hora de eleição- um esquerdista nato! 


Agustinho Plucenio - 03/02/2014 - 20h24
Um partido cujas ações tem o único objetivo de fomentar os índices de popularidade jamais farão bem ao país. Um dia alguém irá avaliar o prejuízo que o PT deu ao país. Além de alimentar 40 cumpanheiros ainda mandam nosso suado dinheirinho para ditadores vizinhos. Enquanto isso pagamos os maiores impostos do mundo para receber um dos piores serviços públicos. Logo o cidadão pedirá para ir preso a fim de ter um tratamento médico.


João Carlos - 03/02/2014 - 20h48
Tudo farinha do mesmo saco.


sergio roberto - 03/02/2014 - 21h00
"Lágrimas de crocodilo"


Paulo Fabiane - 03/02/2014 - 21h05
Prezado Stédile; Faz tempo que acompanho a sua conversa sobre política, economia e sociedade. 1º você não pode esquecer que ajudou a eleger Lula?Dilma, quando sabíamos que tudo o que falavam e prometiam era fora da realidade brasileira, tínhamos que primeiro fortalecer a nossa democracia e, isso não se faze aproveitando-se da ignorância política do povo, o MST errou o PT errou e a conta tem que ser paga. 2º O capital financeiro está escravizando o povo com o apoio do PT e dos movimentos sociais


Honorio da Silva e Bragança - 03/02/2014 - 21h06
Gostei da entrevista do Dr. Stedile, falou tudo aquilo que eu gostaria de falar, porém não tenho a mesma oportunidade que ele.Más ele esqueceu de mencionar que no passado as pessoas queriam terra com o objetivo de ganhar a vida trabalhando nela. Hoje ficar em casa ganha bolsa família sem trabalhar. E os programas do governo referente a merenda escolar é uma piada nem as Prefeituras do PT estão comprando. Grato pela oportunidade.


Paulo Gomes - 03/02/2014 - 21h13
Mais uma estratégia de desvincular o nome do PT desses movimentos sociopatas tipo MST em epóca de eleição. Isso torna o PT mais palatável para a classe média desinformada. PT e MST são farinha do mesmo saco.


Ari - 03/02/2014 - 21h23
As críticas aos governos do PT vão muito além. Baderna é baderna e esse papo de "burguesia" já cansou faz tempo. Tem que fiscalizar essas escolas.


Fernando Lopes - 03/02/2014 - 21h28
Este cara é uma piada pronta e mal feita...


Marcelo Carvalho - 03/02/2014 - 21h31
Ainda dão espaço para esses dinossauros ? Pelo que me consta, esse senhor já foi preso por porte ilegal de armas e outros crimes.


Newman - 03/02/2014 - 21h35
Mais um palpiteiro de plantão...todo mundo aqui tem a fórmula, só que a carroça não anda.


amparo - 03/02/2014 - 21h36
- eles aprenderam a gostar de dinheiro a muito tempo, vi muito peão perder o emprego por causa das graves promovidas pelo seu amigo lula na década de 80 por acreditar nas promessas dele e nunca mais ter se arrumado na vida. 


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